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Notícia
Governo |
17-07-2026 14:34:06
| Fonte: CIPRA
CIMEIRA DA ALIANÇA DAS CIVILIZAÇÕES DA ONU
Primeiro-ministro namibiano defende maior diálogo e cooperação entre os Estados
<p>O diálogo e o respeito pelo Direito Internacional e a cooperação entre os Estados devem estar no centro dos esforços para a paz, uma vez que a actual arquitectura da segurança internacional não tem sido eficaz para a manutenção da paz, prevenção e fim das guerras e conflitos, segundo o Primeiro-Ministro da República da Namíbia, Elijah Ngurare.</p><p>O ponto de vista do Chefe do Governo namibiano foi apresentado na abertura da III Edição da Iniciativa da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, que decorre até hoje, 17 de Julho, em Luanda, sob o lema "Um Apelo à Paz, ao Fim das Guerras e ao Respeito pelo Direito Internacional".</p><p>Ao intervir na cimeira, disse também que a responsabilidade pela paz e segurança ultrapassa as fronteiras nacionais.</p><p>Elijah Ngurare aproveitado para exortar aos países africanos a unirem esforços em prol do desenvolvimento, da criação de emprego e da melhoria das condições de vida, sobretudo para os jovens e as mulheres.</p><p>“A Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional devem constituir a base das relações entre os Estados”, sublinhou.</p><p>Por sua vez, a antiga Presidente da República Centro-Africana, Catherine Samba-Panza, defendeu que a participação das mulheres na promoção da paz e da segurança constitui "uma necessidade absoluta" para enfrentar as causas profundas das crises e evitar a sua repetição.</p><p>Referindo-se ao contexto internacional, marcado por múltiplos desafios e pelo recuo das abordagens não militares na resolução de conflitos, Catherine Samba-Panza considerou essencial privilegiar processos inclusivos, assentes nas realidades locais e apoiados por uma cooperação internacional renovada.</p><p>A antiga Presidente recordou ainda que a história de Luanda demonstra ser possível ultrapassar crises quando existe uma visão colectiva, um compromisso permanente e parcerias sólidas.</p><p>“A construção de uma paz duradoura, inclusiva e partilhada depende da conjugação de esforços e da colocação da pessoa humana no centro das prioridades”, defendeu.</p><p>Na mesma sessão, a antiga Presidente da Libéria e Prémio Nobel da Paz, Ellen Johnson Sirleaf, dedicou parte significativa da sua intervenção ao papel das mulheres, considerando que, apesar dos progressos registados em vários países, continuam sub-representadas nos principais cargos de liderança.</p><p>Como exemplo, Ellen Johnson Sirleaf recordou que, desde a criação das Nações Unidas, em 1945, nenhuma mulher ocupou o cargo de secretária-geral da organização. Por este facto, defendeu reformas urgentes para assegurar uma representação mais inclusiva.</p><p>Contudo, reconheceu os avanços alcançados por África, destacando a eleição de mulheres para a Presidência de alguns países do continente, como sinais do progresso na promoção da igualdade de género.</p><p>A antiga Presidente da Libéria destacou ainda o papel determinante da juventude africana, ao recordar que, até 2030, o continente concentrará cerca de 60 por cento da população jovem mundial. Por isso, entende ser necessário maior investimento na educação, na formação profissional, na criação de emprego e na participação efectiva dos jovens nos processos de decisão.</p><p>Durante sua intervenção, a governante apelou igualmente à transformação dos compromissos políticos em acções concretas.</p><p>“Já não é não tempo apenas para conferências, mas de decisões que produzam resultados para os povos. A hora de África chegou", declarou.</p>