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Notícia
Política |
14-02-2026 12:43:59
| Fonte: CIPRA
CIMEIRA DA UNIÃO AFRICANA
Discurso integral do Presidente João Lourenço na abertura
<p>“Sua Majestade Mswati III do Reino de Eswatini ou seu representante;</p><p>-Sua Majestade Letsie III do Reino do Lesoto;</p><p>• Sua Excelência Abiy Ahmed Ali, Primeiro-Ministro da República Democrática Federal da Etiópia e Anfitrião da Conferência;</p><p>• Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Próximo Presidente em Exercício da União Africana;</p><p>• Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo da União Africana;</p><p>• Sua Excelência Primeiro Ministro do Estado da Palestina;</p><p>• Sua Excelência Giorgia Meloni, Primeira-Ministra da República Italiana;</p><p>• Sua Excelência António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas;</p><p>• Suas Excelências Representantes de Chefes de Estado e de Governo da União Africana;</p><p>• Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;</p><p>• Digníssimos Membros do Corpo Diplomático Acreditado em Adis Abeba;</p><p>• Excelências;</p><p>• Minhas Senhoras, Meus Senhores;</p><p>É com a mais elevada honra que, na qualidade de Presidente em Exercício da União Africana, tomo a palavra para me dirigir a Vossas Excelências nesta Magna Assembleia, para proceder à abertura da 39ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, dedicada a um tema de importância estratégica para o presente e o futuro do nosso continente, que é “Assegurar a Disponibilidade Sustentável da Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar os Objectivos da Agenda 2063”.</p><p>Começo por manifestar a minha mais profunda gratidão a Sua Excelência Abiy Ahmed Ali, Primeiro-Ministro da República Democrática Federal da Etiópia e ao povo etíope pela calorosa recepção e hospitalidade reservada a todas as delegações desde a nossa chegada a este país de especial importância para o nosso continente, pela sua história, mas também por albergar a sede da União Africana, organização que une todos os povos de África.</p><p>Durante esta Conferência, serão debatidas questões de grande importância para o funcionamento e crescimento da União Africana, bem como reflectiremos em torno dos objectivos traçados pela organização para o ano que terminou, sobre os resultados obtidos e sobre o que falta ainda por fazer.</p><p>Procuraremos, de igual modo, traçar conjuntamente o melhor caminho a seguir para garantir a operacionalização com êxito das questões relativas à água como um recurso vital, insubstituível e determinante para o desenvolvimento económico, a saúde pública, a segurança alimentar, a estabilidade social e a paz em África.</p><p>Destacaremos também a necessidade de trabalharmos arduamente para que o acesso à água potável e ao saneamento não constitua apenas uma questão técnica, mas um compromisso político e moral para com os nossos povos, pois, apesar da abundância de recursos hídricos no continente, continuamos a registar situações incontáveis de cidadãos africanos privados do acesso seguro à água potável e ao saneamento adequado, que constitui um desafio colectivo que deve exigir respostas corajosas, integradas e sustentáveis.</p><p>Os esforços que temos desenvolvido para a construção da África que Queremos não poderão ser alcançados de forma plena sem que façamos investimentos significativos que tragam bons resultados no sector da água e do saneamento.</p><p>Só assim conseguiremos garantir o acesso universal e equitativo a estes serviços e concretizar as aspirações da Agenda 2063, em particular no que se refere ao desenvolvimento inclusivo, ao capital humano, à resiliência climática e à boa governação.</p><p>Excelências,<br>Minhas Senhoras, Meus Senhores,</p><p>Há exactamente um ano, a República de Angola assumiu a Presidência em Exercício da União Africana, com a firme convicção de desenvolver iniciativas que contribuíssem para o cumprimento dos grandes objectivos constantes da Agenda 2063 da União Africana, bem como para a operacionalização, de forma objectiva, da questão relativa à “busca da justiça para os Africanos e Afrodescendentes por meio de reparações”, tema central adoptado pela nossa organização para o ano de 2025.</p><p>Esta missão, confiada pela primeira vez ao meu país, permitiu-me contribuir com o vosso apoio, obviamente, para o progresso da nossa causa comum, na base dos valores partilhados inspirados nos pais fundadores do Pan-africanismo.</p><p>Ao longo deste mandato, procurámos reforçar o papel da União Africana como plataforma de concertação política e de acção concreta, promovendo uma maior articulação entre os Estados-Membros e as Comunidades Económicas Regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas, a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infra-estruturas resilientes e a reafirmação dos seguintes princípios:</p><p>O desenvolvimento sustentável é inseparável da estabilidade e da paz duradoura;</p><p>O desenvolvimento integral de África só será possível se não se deixar ninguém para trás.</p><p>É nesta perspectiva que a Presidência angolana da União Africana se estruturou, tendo como baluarte as Infra-estruturas e o Capital Humano como Factores Essenciais do Desenvolvimento Integral de África, apoiado pelos pilares estratégicos fundamentais, nomeadamente a Paz, a Segurança e Boa Governação, o Desenvolvimento Sustentável e Crescimento Económico, a Integração Continental, o Capital Humano e Infra-estruturas e o Reforço das Parcerias Estratégicas e do Multilateralismo Eficaz e Abrangente.</p><p>No âmbito da aplicação do grande objectivo centrado no tema acima referido, trabalhamos coordenadamente com a Comissão da União Africana para a realização, em Luanda, da 3ª Conferência sobre o Financiamento para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, que teve lugar em Outubro de 2025.<br>Este evento, alinhado com o Fórum de Negócios EUA-África, realizado em Junho do mesmo ano e com as acções prioritárias definidas a nível continental, no quadro da aceleração do Segundo Plano Decenal de implementação da Agenda 2063 para o período 2024-2033, foi uma oportunidade única para articular as nossas estratégias de desenvolvimento nacionais, regionais e continentais, em conformidade com as nossas ambições de crescimento, transformação e integração regional.</p><p>Na Conferência sobre Infra-estruturas e também no Fórum de Negócios com os EUA, conseguimos unir os principais parceiros de África em torno do cumprimento do grande sonho de desenvolvimento do continente e assim mobilizar importantes recursos financeiros, para investir em sectores como a saúde, o agronegócio, o turismo, a transformação digital, os corredores económicos integrados, as redes ferroviárias, as auto-estradas transnacionais, o mercado único africano de electricidade e o desenvolvimento do Plano Director para a Aviação Africana.</p><p>Anunciámos recentemente no Dubai o lançamento de uma importante plataforma que terá a responsabilidade de mobilizar o capital financeiro adormecido e espalhado pelo mundo, para investir em África dentro de uma filosofia inovadora de valorização dos nossos recursos naturais em prol do desenvolvimento económico e social do continente.</p><p>Trata-se da Cimeira Global para o Investimento em África que tem como principal promotor o Dr. Akimwini Adesina, nosso bem conhecido, e que vai realizar a sua primeira cimeira em Luanda no final deste ano.</p><p>Desta forma, demonstrámos que África é capaz de se mobilizar, planear e agir colectivamente para construir as bases sólidas para um futuro melhor.</p><p>Ao realizarmos as iniciativas antes descritas, tivemos igualmente como objectivo colocar ênfase na aceleração da implementação e operacionalização da Zona de Comércio Livre Continental Africana, como o verdadeiro motor da transformação económica e social de África.</p><p>Este projecto emblemático da Agenda 2063 da União Africana tem o potencial de nos tornar mais fortes enquanto bloco, num mundo marcado por uma crescente polarização, contribuindo assim para a promoção de uma integração significativa, que continua a ser um dos principais pilares da nossa acção colectiva.</p><p>Neste contexto, estou convencido que continuaremos a trabalhar conjuntamente na multiplicação de projectos de infra-estruturas transnacionais de transporte e de energia, para ligar os nossos povos e os nossos mercados, à semelhança do importante investimento que o meu país tem realizado com o Corredor do Lobito, para citar um exemplo.</p><p>Sem estradas, sem portos e redes digitais e energéticas adequadas, sem infra-estruturas consistentes, a integração permanecerá um sonho inatingível.</p><p>Considerando que África não pode ser expectadora mas um actor central da transformação do mundo, para a preservação dos seus interesses estratégicos estruturantes e existenciais, participámos, em representação do continente, na Cimeira do G20, na Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano- TICAD, na Cimeira União Europeia-União Africana, na Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento em Sevilha, assim como na 80ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque.</p><p>A participação nestes eventos foi de extrema importância para África, porque aproveitamos essas ocasiões para defender a nossa posição comum sobre questões vitais para o continente, como a reforma da Arquitectura Financeira Internacional para torná-la mais inclusiva, eficaz e adaptada aos desafios actuais, o apoio para a redução dos custos da dívida dos países africanos e o aumento do acesso ao financiamento sustentável, o reforço da nossa capacidade de produção de energias renováveis, o aumento da resiliência climática e a protecção social.</p><p>Reafirmámos o nosso compromisso com o multilateralismo centrado no respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas e na reforma do sistema das Nações Unidas, com especial destaque para o Conselho de Segurança, que deve reflectir a realidade do mundo de hoje, de modo a garantir o equilíbrio entre os diferentes interesses geopolíticos e recuperar a sua capacidade de desempenhar plenamente o papel de garante da paz e da segurança mundial.</p><p>Defendemos a promoção da Zona de Comércio Livre Continental Africano como o motor da integração económica continental e como uma ferramenta importante para a estabilidade do comércio mundial.</p><p>A par disso, destacamos a necessidade de contarmos com o apoio destes parceiros para o investimento no desenvolvimento industrial de África e para a transformação dos nossos sistemas agrícolas de modo que se tornem resistentes às mudanças climáticas.</p><p>A Presidência angolana dedicou também uma atenção particular ao funcionamento interno da União Africana, quer do ponto de vista técnico, legal, como administrativo e organizacional.</p><p>Gostaria de destacar a iniciativa de reforçar os métodos gerais de trabalho, adoptando um modelo mais ágil, menos burocrático e capaz de conduzir a resoluções eficazes e conclusões sólidas, sustentadas por uma agenda que possa ser abordada em tempo razoável.</p><p>Este esforço, que já encontrou o consenso entre os Estados-Membros, levará à adopção de uma decisão de grande relevância durante a presente Sessão Ordinária da Conferência.<br>Paralelamente a isso e ainda no âmbito das reformas de que a nossa organização necessita para um melhor funcionamento, quero realçar e congratular-me com o empenho e a dedicação que vêm sendo desenvolvidos por Sua Excelência William Ruto, Presidente da República do Quénia e Campeão das Reformas Institucionais, que nos apresentará um relatório consolidado sobre o processo em curso.</p><p>Este documento reflectirá a vontade de racionalizar as estruturas da União, de conter os custos administrativos e reforçar a coerência entre as reformas institucionais, a eficácia operacional e a credibilidade da nossa Organização continental.</p><p>Excelências,<br>Minhas Senhoras, Meus Senhores,</p><p>As questões relativas à promoção da paz, da segurança e da estabilidade em África estiveram igualmente no centro da nossa acção, uma vez que qualquer esforço tendente à construção da África que Queremos só será possível se conseguirmos realizar o sonho do Silenciar das Armas em África.</p><p>Empreendemos um esforço colectivo para encontrarmos soluções rápidas, sólidas e eficazes para pôr fim aos prolongados conflitos que desafiam a estabilidade do continente, ao terrorismo e o extremismo violento, às mudanças inconstitucionalidade de governo com dois novos casos nomeadamente do Madagáscar e da Guiné-Bissau, à pirataria marítima e outras crises institucionais que fragilizam a segurança em África.</p><p>Na condição de Presidente em Exercício da União Africana e na de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, continuamos a desenvolver acções no sentido de contribuir para a solução dos intrincados conflitos que assolam o Sudão e a RDC.</p><p>Preocupa-nos bastante a intensificação dos confrontos entre as Forças Armadas do Sudão e as Forças de Apoio Rápido, que têm mergulhado o país numa profunda crise humanitária sem precedentes, com milhares de mortos, deslocações massivas de população e infra-estruturas essenciais destruídas.</p><p>É importante que o mundo vire os seus olhos para esta catástrofe que está a ocorrer no Sudão, no sentido de se resolver rapidamente e proteger desta forma a população civil.<br>Devemos continuar a unir esforços no sentido de ajudar o povo do Sudão a encontrar o justo caminho da paz, da concórdia e da reconciliação nacional.</p><p>Quanto à situação na República Democrática do Congo, apesar das acções desenvolvidas pela República de Angola e pela República do Quénia, que se seguiu à negociação do cessar-fogo em Doha e à assinatura do Acordo de Paz de Washington DC, continuamos a assistir, com preocupação, à deterioração da situação de segurança e humanitária, com a ocupação recente de novas posições estratégicas e a instalação de uma administração paralela nos territórios ocupados pelo M23.</p><p>De modo a não se perderem os ganhos obtidos no âmbito dos Processos de Washington DC e de Doha, que contemplam a necessidade da realização do diálogo inter-congolês, Angola tem desenvolvido iniciativas para realçar a importância vital e urgente do início do diálogo, como passo importante para a reconciliação nacional e o alcance da paz definitiva em todo o território nacional.</p><p>No conjunto destes esforços, aproveito a ocasião para felicitar as iniciativas diplomáticos de Sua Excelência Faure Gnassingbé, Presidente do Conselho do Togo e Mediador do Processo de Paz no Leste da RDC, que, procurando encontrar Soluções Africanas para os Problemas Africanos, tem vindo a desenvolver acções que podem ajudar a preservar a paz e a segurança neste país irmão.</p><p>Merece igualmente uma grave preocupação a expansão dos grupos terroristas que continuam a atingir severamente o Mali, o Burkina Faso, o Níger, a Nigéria e o norte dos Camarões, colocando em risco a segurança das populações e a coesão dos Estados.</p><p>Na Somália, apesar dos esforços do Governo Federal e da União Africana, através da Missão de Apoio e Estabilização (AUSSOM), os ataques repetidos dos terroristas fragilizam toda a região do Corno de África, com impacto na África Austral, designadamente no Norte de Moçambique.</p><p>Por isso, apelo a um apoio reforçado em todos os domínios, incluindo o incremento da advocacia junto dos parceiros internacionais, em particular o Conselho de Segurança das Nações Unidas, no sentido da mobilização de recursos adicionais, indispensáveis ao sucesso da referida Missão de paz.</p><p>Aproveito igualmente este palco para reiterar a posição firme da União Africana que refuta qualquer tipo de iniciativa visando o reconhecimento da Somaliland como entidade independente, por violar os princípios do Acto Constitutivo da União Africana e da norma da inviolabilidade das fronteiras herdadas das independências.</p><p>A preservação da soberania, da integridade territorial, da unidade e da estabilidade da República Federal da Somália, é inegociável.<br>África dispõe de uma instituição forte, capaz e à altura dos grandes desafios que o nosso continente tem pela frente, pela qualidade que coloca na abordagem dos temas fundamentais e pela capacidade que revela na articulação das grandes iniciativas que temos procurado levar por diante, para colocar a África na rota do desenvolvimento.</p><p>A União Africana goza de um crescente prestígio que se pode observar pelo interesse que muitos dos nossos parceiros internacionais manifestam ao pretenderem fazer ouvir a sua voz nos nossos conclaves, porque reconhecem o potencial do nosso continente quer em termos da contribuição que pode prestar com os seus recursos para o desenvolvimento da Humanidade, como em termos de posicionamentos políticos corajosos, embora sensatos, moderados e equilibrados, a respeito da paz e segurança internacionais, da economia e comércio mundiais, das crises energética, alimentar, humanitária e climática que o mundo hoje vive.</p><p>Excelências,<br>Minhas Senhoras, Meus Senhores,</p><p>Enquanto membro do Conselho de Paz e Segurança para o mandato 2024-2026, o meu país comprometeu-se a reforçar este órgão fundamental da nossa Organização continental e a adaptar a Arquitectura de Paz e Segurança Africana (APSA) aos desafios actuais.</p><p>Precisamos de melhorar a eficácia dos nossos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, para que a União Africana reforce a sua capacidade de reacção perante crises que afectam directamente os Estados Membros.</p><p>Na base disso, relativamente ao aumento das crises de segurança em África, decidi propor a realização ainda este ano, em Luanda, de uma Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, dedicada à análise das vias e meios para responder às ameaças que pesam sobre a paz, a segurança e o desenvolvimento do nosso continente.</p><p>Estou convencido que esta iniciativa poderá contribuir fortemente para o reforço dos mecanismos e meios de prevenção, gestão e resolução de conflitos em África.</p><p>Estamos a assistir ao surgimento de novos fenómenos que não devem ser legitimados e chancelados pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana.</p><p>Quando falamos da necessidade do restabelecimento da ordem constitucional após a tomada do poder por meios inconstitucionais, não estamos a dizer que ela fica restabelecida desde que os autores do golpe de Estado realizem eleições e se façam eleger.</p><p>Esta é uma forma de branqueamento de um acto ferido de legitimidade, que, infelizmente, começa a ser encarado como normal e, por isso, aceitável, quando na realidade ameaça os alicerces dos nossos princípios e a paz e segurança do continente.</p><p>Isto não pode tornar-se em um novo normal na forma de se alcançar o poder, porque seria uma forma indirecta de encorajar a realização de golpes de Estado, para a seguir se branquear e ficar tudo bem.</p><p>Minhas Senhoras<br>Meus Senhores</p><p>No âmbito do contributo que a República de Angola tem procurado dar à estabilidade, à paz e à concórdia no nosso continente, temos vindo a realizar a cada dois anos, na cidade de Luanda, o Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não-Violência em África, vulgo Bienal de Luanda, espaço de diálogo, reflexão e cooperação, que reúne líderes políticos, académicos, artistas e representantes da sociedade civil em torno da promoção da paz, da tolerância e da solidariedade entre os povos africanos.</p><p>Este evento, que irá celebrar em Outubro deste ano, em parceria com a União Africana e a UNESCO, a sua 4ª edição, subordinar-se-á ao tema: “Reforçar a governação da Água em África como Ferramenta de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”, em alinhamento com o lema do ano de 2026 escolhido pela nossa organização.</p><p>Neste contexto, convido Vossas Excelências para se juntarem a nós em Luanda e participar activamente neste importante evento.</p><p>Excelências<br>Minhas Senhoras, Meus Senhores</p><p>Vivemos uma era de reconfiguração geopolítica mundial, tornando-se indispensável que a África defenda posições fortes e comuns sobre questões vitais como as alterações climáticas, a saúde, os direitos humanos, a paz e a segurança alimentar e o multilateralismo que deve ser visto como a mais importante ferramenta para a restauração da ordem mundial.</p><p>O contexto geopolítico actual, marcado por uma fragilização preocupante das instituições de governação global, tem prejudicado imensamente os avanços positivos registados no domínio do multilateralismo, nas últimas décadas.</p><p>Esta fragilidade manifesta-se com particular acuidade em África, obrigando-nos a redobrar esforços para defender os nossos interesses, os nossos povos e as nossas nações.</p><p>Por isso, devemos prosseguir na construção de uma África estável, integrada, onde os conflitos sejam prevenidos e resolvidos por mecanismos africanos e que estes sejam fortes e consistentes.</p><p>É por isso que lanço um apelo aos Estados-Membros para uma governação mais responsável, inclusiva e voltada para o futuro, de modo que as nossas instituições reflictam a vontade colectiva e reforcem a confiança da nossa juventude no nosso projecto comum.</p><p>África dispõe dos recursos, do conhecimento e da vontade política necessários para transformar os seus desafios em oportunidades. O que se exige é coerência na acção, responsabilidade na implementação e solidariedade entre os nossos Estados.</p><p>Esta Sessão Ordinária deve permitir-nos avaliar progressos, identificar constrangimentos e, sobretudo, assumir compromissos claros e mensuráveis, capazes de produzir impactos reais na vida das nossas populações.</p><p>Deve igualmente reforçar a nossa determinação colectiva em construir uma África mais resiliente, mais justa e mais próspera, em linha com a visão da Agenda 2063 e com as aspirações legítimas dos povos africanos.</p><p>Com estas palavras, declaro oficialmente aberta a 39.ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.</p><p>Muito Obrigado a todos.</p>